Quatorze por cento. A participação do Google na Anthropic ficou escancarada. Documentos recentes, revelados durante um processo antitruste nos Estados Unidos, trouxeram à luz esta informação antes guardada a sete chaves.
O gigante das buscas meteu a colher no prato da inteligência artificial generativa de forma mais profunda do que se imaginava. E agora, com cartas na mesa, o mercado se pergunta: quais as verdadeiras intenções por trás deste investimento bilionário?
A Anthropic, empresa que desenvolveu o Claude, se tornou um dos mais promissores competidores da OpenAI. Sua criação tem conquistado espaço considerável entre usuários que buscam alternativas ao ChatGPT. Mas quem imaginaria que o Google estaria nos bastidores, puxando alguns cordões estratégicos?
Som típico de movimento-cavalo do xadrez corporativo mundial. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos expôs a relação entre as duas empresas durante seu processo antitruste contra o Google. As vicissitudes do mercado tecnológico contemporâneo ficaram ainda mais evidentes com esta revelação que pegou muitos analistas de calças curtas.
Segundo o New York Times, citado no artigo como fonte de informação relevante, a empresa proprietária do Google teria investido US$ 2 bilhões na Anthropic em 2023. O intuito? Óbvio. Garantir uma posição estratégica no promissor mercado de inteligência artificial generativa.
Depois da montanha-russa tecnológica que vem transformando o mundo digital, estamos vendo o Google dar um passo calculado. A empresa possui na realidade 14% da startup, conforme revelado pelos documentos judiciais. Por que esconder este dado por tanto tempo?
Aliás, outras gigantes também possuem participações significativas na promissora Anthropic. A vender o peixe neste mercado competitivo, a Amazon fez um aporte de US$4 bilhões na startup em setembro do ano passado.
A Anthropic, por sua vez, tem se comportado de maneira ainda mais reservada sobre sua estrutura acionária. A empresa não respondeu às solicitações de comentários feitas. Fechada como uma ostra, prefere manter o sigilo enquanto seu produto principal cresce em popularidade.
Em fevereiro deste ano, o The Wall Street Journal noticiou que a Anthropic estava finalizando uma rodada de financiamento de US$ 2,75 bilhões. Esta captação poderia elevar sua avaliação de mercado para US$ 18,4 bilhões.
Não é para menos. O hodierno cenário da inteligência artificial generativa tem atraído investimentos astronômicos. Empresas como a Anthropic representam a vanguarda de uma tecnologia que promete revolucionar praticamente todos os setores da economia global.
Mas voltemos ao Google. Por que a gigante de Mountain View se interessaria tanto por uma fatia da Anthropic? A resposta pode estar na estratégia de diversificação de apostas tecnológicas. Se o caldo entornar para algum lado no mercado de IA, o Google estará lá, de olho na jugular do próximo unicórnio.
Uma jogada de mestre ou apenas mais uma tentativa desesperada de não perder o bonde da história tecnológica?
A corrida pela supremacia em IA generativa tem levado empresas a despejar bilhões em startups promissoras. Neste jogo de cartas marcadas, quem ficar para trás pode amargar prejuízos incalculáveis no médio prazo.
O mais curioso nesta história toda é a posição ambígua do Google. Enquanto desenvolve seus próprios modelos de IA, como o Gemini, também investe pesado em potenciais concorrentes. Pescando em dois aquários simultaneamente, a empresa parece querer garantir que, não importa quem vença esta corrida, parte do troféu será seu.
E você, já parou para pensar nas implicações éticas deste tipo de controle cruzado no mercado de tecnologia?
A prospecção do futuro tecnológico passa, inevitavelmente, pelo controle acionário das empresas mais inovadoras. E neste quesito, o Google tem mostrado que não está disposto a ficar chupando o dedo enquanto outros avançam.
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