Microsoft amplia apostas em IA para além da OpenAI: o jogo virou 

Microsoft diversificação IA   -Pessoa ruiva usando laptop com dados e logo da Microsoft na tela.

Diversificar ou morrer. Microsoft diversificação IA

É o que parece orientar os passos da gigante de Redmond agora. A Microsoft deu uma guinada e está, na surdina, ampliando seu leque de parcerias no campo da inteligência artificial. Quem diria, não? 

Mistral AI, Inflection AI, Cohere. Nomes que talvez não façam seu coração bater mais forte como a badalada OpenAI, mas que entraram no radar da empresa fundada por Bill Gates. E não por mero acaso. 

A dança das sete véus na estratégia de IA da Microsoft 

A famosa parceria com a OpenAI segue firme e forte. Mas a Microsoft anda costurando alianças estratégicas pelas bandas de trás do palco principal. 

Diante da correria do mercado, a empresa não quer ficar com todos os ovos numa cesta só. Até porque, convenhamos, o susto foi grande quando Sam Altman quase bateu com as portas no fim de 2023. 

“As empresas estão de olho vivo em soluções personalizadas,” explica Nima Owji, que acompanha o setor há anos. “Querem ter jogo de cintura para escolher modelos conforme a necessidade específica de cada projeto.” 

E o que explica esse movimento? Ora, nem o próprio ChatGPT, com toda sua popularidade, dá conta do recado sozinho. 

Certas empresas precisam de modelos econômicos. Outras buscam soluções para tarefas bem específicas. Tudo uma questão de encaixar a chave certa na fechadura certa. 

Tecendo a teia de parcerias 

Em fevereiro – e isso já faz um tempinho – a Microsoft fechou com a francesa Mistral AI. 

De lá pra cá, comprou a Inflection AI e anunciou que vai integrar suas tecnologias nos produtos que chegam ao consumidor final. 

Já pensou no impacto disso tudo? 

A startup Cohere, diretamente de Toronto, também entrou na jogada. Especializada em soluções empresariais de IA, vai ver seus modelos integrados ao Azure OpenAI Service. 

Na prática, os sistemas da Cohere ficam disponíveis numa plataforma que os clientes corporativos já conhecem como a palma da mão. Matar dois coelhos com uma cajadada só, como diria minha avó. 

E por falar em proteger interesses… A Microsoft não dormiu no ponto depois da quase-saída de Sam Altman da OpenAI. Aquela história deu um nó no estômago de muita gente em Redmond. 

Logo da Microsoft, representando a diversificação da empresa em Inteligência Artificial (IA). Microsoft diversificação IA
Microsoft: Diversificação em IA para o futuro da tecnologia.

A tal “big tent” que ninguém traduz direito 

Kevin Scott, CTO da Microsoft, chama a estratégia de “big tent” – algo como “barraca grande” numa tradução ao pé da letra que não faz o menor sentido em português. 

Na real, significa criar um ecossistema onde vários modelos de IA convivem num mesmo ambiente. Uma espécie de condomínio tecnológico, digamos. 

Essa diversificação permite soluções sob medida. E afasta o risco de dependência excessiva de um único fornecedor – vicissitudes do mercado tecnológico hodierno. 

Raúl Castañón, que analisa o setor pela 451 Research, questiona com pertinência: “Por que ficar preso a um modelo só quando se pode ter um cardápio completo à disposição?” 

A Microsoft, que já dançou conforme a música em outros momentos da história da tecnologia, agora quer ser a própria orquestra. Ou ao menos reger os músicos. 

Diante da concorrência ferrenha com Google, Amazon e Meta, a estratégia faz sentido. Não dá para bobear. 

Personalização é o nome do jogo 

Parece que o movimento da Microsoft escancara uma tendência maior: empresas querem soluções sob medida para problemas específicos. 

Sabe aquela história de que “para quem só tem martelo, todo problema parece prego”? Pois é. A Microsoft está ampliando sua caixa de ferramentas. 

Especialistas preveem um cenário onde as empresas utilizarão diferentes modelos de IA para cada função específica. Tem cabimento isso? 

Imagina ter um modelo só para resumir textos longos. Outro dedicado a gerar conteúdo criativo. Um terceiro especializado em análise de dados brutos. 

A variedade de modelos disponíveis lembra um pouco o conceito de “melhor ferramenta para cada trabalho” que revolucionou outros setores. Por que seria diferente com IA? 

Enquanto isso, a Microsoft se blinda contra possíveis turbulências. Contribui, de quebra, para um ecossistema de IA mais diverso e competitivo. 

E a gente fica na expectativa. Será que essa aposta vai dar frutos ou é só mais um case de diversificação excessiva? Difícil cravar. 

O futuro dirá se precisaremos mesmo de tantos modelos especializados ou se algum conseguirá ser o canivete suíço da inteligência artificial. 

No meio dessa transformação toda, uma certeza: o mercado de IA está cada vez mais complexo. E quem não acompanhar, fica para trás. 

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